A LINGUAGEM E O PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS CRIANÇAS

Ana Maria Louzada

A individualidade da criança se constitui a partir dos conteúdos sociais que os diferentes sentidos das diversas palavras lhe revelam ao serem apropriadas no seu cotidiano. O indivíduo se forma apropriando-se das objetivações históricas e objetivando-se no interior dessa história (DUARTE, 1993, p. 47). Isso quer dizer que a consciência individual só pode existir nas condições de uma consciência social.

Todo indivíduo se apropria da maneira de agir e da linguagem para que possa viver em sociedade. Através da apropriação dessas objetivações é que se inicia o processo de formação de todo o ser humano (DUARTE, 1993, p.137), caso contrário, o indivíduo não existiria enquanto ser humano. O fato de a apropriação das objetivações acima abordadas se realizarem ao longo das atividades cotidianas significa que as crianças ao se apropriarem dessas objetivações, também se objetiva, propiciando que outros se apropriem das suas objetivações. Assim, ao se


apropriar da linguagem, a criança o faz objetivando seu pensamento (...) ela forma seu pensamento nesse processo de objetivação através da apropriação da linguagem que constitui a objetivação da atividade social de pensamento dos seres humanos (...) a linguagem não é apenas um meio de exteriorização do pensamento, mas também sua condutora (DUARTE, 1993, p. 138-139).

 O meio social determina e controla os nossos desejos, manifestados pelas nossas interlocuções. De acordo com Bakthin (1992), o centro organizador e formador da atividade mental não está no interior do sujeito, mas fora dele, na própria interlocução entre as pessoas. E ainda conforme Vygotsky (1991) e Leontiev (s.d), a linguagem não é uma forma de comportamento natural e inata, mas é desenvolvida no decorrer das práticas sociais e culturais em que as crianças se inserem.

Isso significa que a criança se apropria da forma como o outro a vê. Ela se forma com base naquilo que ela ouve de si mesma.

Ao considerarmos que a linguagem tem implicações no processo de formação das crianças necessário se faz pensarmos:
 - Estamos dialogando com as nossas crianças – filhos e filhas?
 - O que significa dialogar com as crianças?
 - Que concepção de diálogo permeia as nossas interações com as crianças?
 - O que estamos dizendo quando estamos orientando?
 - O que estamos deixando de dizer quando estamos ensinando?
 - O que de fato as crianças precisam ouvir?

 Essas e outras indagações precisam permear as nossas mediações com as crianças.

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