A importância da rotina nos primeiros dias de inserção das crianças pequenas na escola


EDUCAR COM DIÁLOGO | Família Amiga
Criança em Ação

Por Ana Maria Louzada*

Temos discutido com as famílias e com as escolas de educação Infantil, o sentido de adaptação e de inserção no tempo espaço escolar, e, nesse processo de reflexão destacamos a importância de uma boa adaptação, isto é, aquela que promove uma inserção de qualidade.

Confira sobre esse assunto (adaptação e inserção) em Educação ao seu Alcance.

Para uma inserção de qualidade, a rotina está na lista das diversas precauções que precisam ser tomadas. Sim! Estamos falando do zelo que precisamos ter na reorganização da rotina das crianças nos primeiros dias de aula.

Isso porque, ao começar a vida escolar, o dia-a-dia da criança muda completamente, e, para que ela possa aprender a lidar com as mudanças, alguns cuidados são fundamentais.

Acompanhamos muitas crianças que se inserem no mundo escolar tranquilamente, sem choro, sem resistência e com muita alegria. Mas temos também, aquelas que costumam chorar: algumas se jogam no chão (fazem birra), outras choram compulsivamente, e, ainda, temos casos de crianças que acabam não se alimentando bem, perdem o sono, etc.

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Nossa orientação é que tanto a criança que resiste ficar na escola quanto à que demonstra melhor inserção, precisa ter a sua rotina adaptada. É verdade! Geralmente dedicamos atenção às que se recusam, e, nos esquecemos de observar às que não choram.
  • Muitas crianças não choram mesmo, porque está tudo bem. Ok? No entanto, têm aquelas que não choram (que demonstram uma aparente tranquilidade), mas vivenciam sérios desafios (medos, inseguranças, etc.) que precisam ser considerados.

Por isso, a rotina adaptada pode ajudar nas diferentes situações, inclusive as que revelam certa tranquilidade.
  • Rotina adaptada significa reorganizar o cotidiano da criança, quando há necessidade de inserir uma atividade nova em sua vida (nesse caso, a atividade escolar).
Pois bem, para que a criança possa se inserir no mundo escolar com tranquilidade, é muito importante focar a sua rotina, tendo em vista que ela (a criança) é quem mais nos interessa nessa situação.

Se a criança vai ficar um período na escola (uma manhã, uma tarde ou o dia todo), é recomendável que os momentos que antecedem aos horários de entrada e de saída sejam devidamente planejados, principalmente nos primeiros dias de aula, quando ela está aprendendo a lidar com as situações novas - período de inserção a uma nova realidade.

Estamos falando de cuidados com o sono (dormir bem), com a alimentação (ingerir alimentos saudáveis), com o lazer (brincar é fundamental), com a higiene (um banho prazeroso ajuda no bom-humor), bem como cuidados com o excesso de atividades extraescolares (sobrecarregar a criança? Definitivamente não!).

Esses cuidados têm implicações positivas no comportamento infantil frente aos novos desafios, tendo em vista que o período de inserção (que envolve acolhimento) é uma situação de transição em que a criança aos poucos se apropria da nova rotina longe da família (vínculo de referencia). Por isso, a criança precisa estar bem.
  • Fato é que, ao ser bem inserida (pela família) e acolhida (pela escola), ela aprende a estabelecer novos vínculos com os professores, com os colegas e com as atividades, sentindo-se cada vez mais segura.
Vale reafirmar que o início da vida escolar é uma experiência desafiadora para a criança. Ela vivencia novas experiências em um espaço desconhecido, com pessoas estranhas, além de aprender outras regras em rotinas diferentes.

Além do mais nesse período a criança está em processo de desenvolvimento, principalmente no que se refere ao conceito de si mesma e do outro (pensamento egocêntrico), e, ainda, o lobo frontal do cérebro, responsável pelo controle das emoções ainda está se desenvolvendo. 

O neocórtex, a parte superior do cérebro é uma das áreas que não nasce pronta na criança. Essa região corresponde a 76% do cérebro e está localizada na parte frontal, logo atrás da testa - é o centro de controle do cérebro.

Nessa fase (principalmente até aos 4 anos de idade), os dois hemisférios cerebrais ainda não trabalham de forma totalmente integrada. 

Por isso, sem o auxílio da parte superior do cérebro para compreender o que está acontecendo, altos níveis de substâncias químicas associadas ao estresse percorre o seu corpo e o cérebro, deixando-a agitada, irritada e frustrada, principalmente quando se depara com situações desafiadoras (lembremos das crianças que choram e se jogam no chão).

Por bem, se o seu filho ou a sua filha, manifestar comportamentos como ansiedade e pânico, não é aconselhável deixá-lo(a) na escola por imposição. Monte uma rotina, onde o período de adaptação/inserção seja maior, com menos tempo diário na escola.
  • Quando a criança ainda é pequena, essas novidades precisam ser mediadas, de modo que as inseguranças e as incertezas trazidas pelo desconhecido possam ser redimensionadas.
Se o período de aulas é de 4 horas, recomenda-se que nos três primeiros dias fique 2 horas, nos outros 3 dias é bom aumentar 30 minutos (ficar 2 horas e meia já é um avanço), e, assim, nos próximos dois dias a criança pode ficar 3 horas, de modo que ao final de 15 dias, ela possa permanecer as 4 horas. 
  • Atenção! Algumas precisam de 15 dias, mas têm as que precisam de até 30 dias. Então toda a paciência é fundamental!
Nessa rotina é importante garantir a presença de alguém da família, principalmente no início das atividades escolares. Se a criança inicialmente vai ficar 2 horas, então no primeiro dia alguém deve ficar com ela nesse tempo. Já no segundo dia é bom ficar uma hora, e, assim, vai diminuindo paulatinamente: 40, 30, 20, 10 minutos, até chegar ao ponto de se despedir dela logo na entrada.
  • Veja que nessa proposta há necessidade de mudanças na rotina da criança e da família. Tudo bem?
Outra questão a destacar é que a rotina nos primeiros dias de aula seja mediada pela mesma pessoa (a mãe, o pai ou outra pessoa designada para esse fim). Após esse período que varia de criança pra criança, outras pessoas da família devem vivenciar a experiência de levá-la pra escola. 

Gostaria de dizer também, que geralmente os bebês se acostumam mais rápido à nova experiência. Mas isso não é regra. Lembra das crianças que não choram, mas que precisam de cuidados especiais nesse momento? Fiquemos atentos(as).
  • O bebê guarda as informações na mente por meio de registros emocionais, de modo que uma experiência ruim pode fazer com que ele rejeite a escola. Para evitar problemas, a família precisa estar disponível para passar essa fase ao seu lado.  
as crianças maiores, entre 1 e 2 anos e meio, quando são muito grudadas à mãe, ao pai ou à outra pessoa responsável pelos seus cuidados e educação familiar, costumam demorar um pouco mais para aceitarem a ideia de frequentar a escola. Existem as que ficam muito bem no primeiro dia, mas no segundo fazem uma birra danada.

Isso porque, além de ainda não saberem lidar com os desafios (lembrando que a birra faz parte do processo de desenvolvimento infantil), geralmente as crianças vinculam seu bem estar à presença da pessoa que assumem os seus cuidados diários. 

Uma forma de facilitar a inserção da criança na escola é em alguns dias antes do início das aulas, realizar atividades que promovam a sua independência, como: explorar os espaços tempos em que vive; se alimentar sozinha; escolher uma roupa pra vestir; guardar os brinquedos, etc.
  • É importante frisar mais uma vez que mudanças nas atividades cotidianas afetam as crianças, independente do motivo.
Daí a importância de conversar com elas, com paciência e firmeza, nos horários que antecedem a entrada, por exemplo, de modo a esclarecer que ela ficará na escola por um período, mas que no horário certo você irá buscá-la. Evite dizer que voltará logo, sendo que não poderá cumprir, ou também, que vai demorar um pouco, mas que voltará, pois a criança ainda está construindo o conceito de tempo. 
  • Essa conversa precisa fazer parte da nova rotina (da rotina adaptada). Certo?
Como podemos ver a rotina da criança se altera com a sua ida pra escola, de modo, que um olhar cuidadoso em relação à mesma é fundamental para o seu pleno desenvolvimento.

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*Ana Maria Louzada: Mestre em Educação/UFES, Orientadora Educacional, Consultora de Família, Palestrante e Autora de vários livros e artigos sobre assuntos relacionados à Educação.


Colocamo-nos à disposição para mais orientações e desejamos boa sorte nessa nova experiência.


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